O dilema entre a linguagem neutra de gênero e a acessibilidade: confira o que você precisa saber!

O dilema entre a linguagem neutra de gênero e a acessibilidade: confira o que você precisa saber!

A língua é uma das diversas maneiras de expressão cultural de uma sociedade e, portanto, ela é muito importante. Sendo assim, ela ganha um significativo nível de representatividade. Nesse contexto, e tendo em mente a importância da representatividade, há um dilema sobre a língua atualmente: o cuidado com a linguagem neutra de gênero e a acessibilidade.

Assim como o debate sobre a representatividade na língua é novo, essa relação também é. Por isso, vamos esclarecer alguns aspectos em torno desse dilema. Além disso, também vamos apresentar maneiras para que você possa alcançar esses dois objetivos!

 

Diferença entre língua e linguagem

É importante entender a diferença entre esses dois conceitos, antes de debater sobre a acessibilidade e a linguagem neutra. Confira abaixo o significado de cada uma das palavras:

Língua

A língua é um conjunto de palavras organizadas por regras gramaticais específicas. Esta organização permite passar informações e estimular a comunicação entre determinado grupo social. Por isso, a Língua Brasileira de Sinais também consiste em uma outra língua diferente do Português. Afinal, a organização dos sinais em Libras permite o entendimento de determinados indivíduos entre si, além de possuir suas próprias regras.

Linguagem

Por outro lado, a linguagem consiste na capacidade de comunicar-se com os outros, independentemente de haver uma língua em comum. Por exemplo, basta pensar em pessoas que falam línguas distintas, mas que conseguem se comunicar por meio de gestos, sorrindo, apontando para algo, entre outros.

Apesar da dificuldade de não conhecer uma mesma língua, ainda é possível se fazer entender por meio da linguagem.

Além dessas considerações, se você tem interesse em saber mais sobre a diferença entre esses dois conceitos, confira esse outro artigo do nosso blog!

 

Linguagem neutra de gênero para acessibilidade e linguagem inclusiva

Linguagem neutra

Por ser uma expressão social, a língua carrega os valores, a história e as marcas de determinado grupo. Por isso, a linguagem neutra se tornou um debate atual.

Na realidade, esta discussão propõe a comunicação de maneira fluida e imparcial perante os gêneros. Afinal, atualmente existe uma grande pluralidade de identificações de gênero que fogem ao binarismo. E apesar dessa existência, é justamente no fator binário de gênero em que a língua ainda se sustenta.

Portanto, buscando incentivar a inclusão da diversidade na língua, a linguagem neutra promove a utilização de termos não exclusivos. Além disso, ela propõe a alteração da língua a partir de diferentes grafias das palavras existentes.

Linguagem inclusiva

Segundo o Manual Prático de Leitura Inclusiva do jornalista André Fischer, a linguagem inclusiva é: “Falar e escrever tomando cuidado ao escolher palavras que demonstrem respeito a todas as pessoas, sem privilegiar algumas em detrimento de outras”.

Esta linguagem, apesar de ter o mesmo objetivo da linguagem neutra, não propõe a alteração do idioma. Na realidade, ela promove a utilização de termos e inutilização de outros que despertam exclusões e negam a diversidade.

Por essas razões, além de inclusiva, esta linguagem também é chamada de não sexista.

Acessibilidade e o uso da linguagem neutra de gênero com @ e X

Mas onde o debate da linguagem neutra se entrelaça com a acessibilidade? Isso é fácil de entender ao pensar que muitas maneiras de comunicação estão atreladas à escrita. Por isso, ao alterar determinados fatores da língua portuguesa, deve-se pensar também nas consequências para a acessibilidade.

Afinal, quando informações importantes não estão disponíveis em Libras ou em Braile, não há a conclusão da comunicação para pessoas com deficiência. Nesse sentido, a utilização de símbolos e letras como o @ e/ou X também é limitadora. Isso acontece porque o @ e o X não apresentam som em todas as palavras, então pessoas disléxicas ou com deficiência visual e que necessitem de leitores de tela para receber a informação, por exemplo, acabam sendo prejudicadas. Dessa maneira, a linguagem neutra perde o sentido, se tornando exclusiva e consolidando mais uma barreira para a acessibilidade.

Acessibilidade e o uso da linguagem neutra de gênero com E ou U

Outra alternativa para promover uma comunicação neutra, seria trocar as vogais “a” e “o”, dos finais das palavras que determinam gênero. No seu lugar, é colocada uma vogal neutra “e” ou “u”. Por exemplo, as palavras “todos” e “eles” seriam usadas apenas para aqueles que se identificam com o sexo masculino. E para uma comunicação de uma forma geral sem usar o gênero para transmitir a informação, seriam trocadas por “todes” e “elus” referenciando todas as pessoas.

Apesar de ser uma proposta inclusiva para as comunidades LGBTQIA+ e feminista, muito se fala que essa proposta pode atrapalhar usuários que dependem de leitores de tela como pessoas com deficiência visual por exemplo, eliminando a questão inclusiva do tema, porém há quem diga e teste que nesse formato é sim possível entender o texto de qualquer forma usando leitores de tela, dessa forma a utilização do “e” e “u” acaba não sendo inclusiva, mas não é completamente inacessível.

Melhores recursos linguísticos

Para construir uma linguagem neutra de maneira efetivamente inclusiva, existem outras opções. Confira abaixo quais são elas:

  • Subtraia os artigos: isso torna as frases mais genéricas;
  • Utilize o termo “pessoa” (as) para se referir de maneira generalista;
  • Adote pronomes indefinidos;
  • Evite pronomes definidos em frases em que não precisam obrigatoriamente ser usados;
  • Use o nome do conjunto em vez das pessoas (exemplo: utilize “a gerência” em vez de “os gerentes”).

Essas dicas farão com que você tenha uma comunicação mais inclusiva sem afetar acessibilidade e não vá de encontro com as leis de acessibilidade. Com certeza a sua intenção é justamente agregar o maior número de pessoas possível, correto? Então, vá em frente e boa sorte!

 

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