O papel dos gestores na acessibilidade: uma entrevista com Ivone Santana

O papel dos gestores na acessibilidade: uma entrevista com Ivone Santana

A legislação de acessibilidade tem uma história longa, com capítulos importantes. A Lei de Cotas, por exemplo, completou 25 anos em 2016. Esse foi o ano em que a Lei Brasileira de Inclusão (ou Estatuto da Pessoa com Deficiência) entrou em vigor. Essas duas leis nasceram em épocas diferentes mas têm algumas semelhanças: ambas regulam a acessibilidade nas organizações e não são cumpridas como deveriam. Só uma pequena parcela das empresas brasileiras está acessível e muitas não possuem pessoas com deficiência em seus quadros de funcionários.

São muitos os fatores que levam as empresas a não cumprirem a lei, mas é importante ressaltar o papel dos gestores e gestoras nessa situação. A falta de conhecimento sobre as pessoas com deficiência e como se relacionar com elas perpetua uma realidade de isolamento e discriminação. A Ivone Santana é uma das pessoas que trabalha para quebrar essas barreiras. Ela é especialista em inclusão e capacitação de gestores e fundadora do Instituto Modo Parités, que desenvolve projetos de acessibilidade nas empresas. Nós conversamos com ela sobre o que a gestão pode fazer para promover a inclusão, quais as principais dúvidas dos gestores e os maiores problemas das empresas com relação à accessibilidade.

Você confere nossa conversa logo abaixo! 😉

 

Retângulo de fundo azul escuro, na horizontal. No canto esquerdo há uma tela de computador com os ícones de três pessoas. Há uma faixa roxa que se sobrepõe ao canto da tela, onde se lê em branco "webinar grátis!". Do lado direito da tela lê-se também em branco: "10 Dicas de Acessibilidade para gestores e Gerentes, com Ivone Santana, Instituto Modo Parités". Ao lado do texto, no canto direito da figura, há um botão amarelo retangular de bordas arredondadas onde se lê em branco "assista aqui". Fim da Descrição.

 

Hand Talk (HT): Há quanto tempo você trabalha com acessibilidade?

Ivone Santana (IS): Eu comecei a trabalhar diretamente com o universo da acessibilidade há cinco anos, quando implantei o programa de inclusão de pessoas com deficiência no Magazine Luiza. Foi aí que comecei a entender de uma forma mais técnica a importância de providenciar recursos para que as pessoas com deficiência não tenham barreiras para exercerem a sua profissão.

 

HT: Seu foco sempre foi trabalhar a acessibilidade e a inclusão na gestão?

IS: Sim, desde o início da minha carreira. Logo no começo eu fui jornalista freelancer e depois passei pelo poder público e pelo terceiro setor, finalmente trabalhando em empresas por quase 20 anos como executiva. Toda essa trajetória, em várias áreas de atuação, foi permeada pela inclusão social. Eu trabalhei bastante com educação em escolas públicas de periferia no início, e me envolvi com a inclusão social em vários aspectos: por meio de renda, por meio da cultura, a questão racial etc. A inclusão social esteve presente em todos os projetos com os quais trabalhei e conduzi, ao longo de quase 30 anos de vida profissional.

A inclusão da pessoa com deficiência passou a fazer parte do meu objeto de trabalho na última década, já que antes esse era um assunto que não entrava na pauta da inclusão social e das políticas públicas. Me chamou a atenção o fato de que, mesmo tendo uma trajetória de trabalho sempre voltada para a inclusão social, a acessibilidade não tinha aparecido nos meus projetos. Quando fui pesquisar o tema percebi que era recente na minha trajetória porque na verdade ele é recente na sociedade. As pessoas com deficiência começaram a frequentar escolas regulares muito recentemente – antes elas frequentavam escolas especiais. A lei de inclusão no trabalho também começou a ser fiscalizada e efetivada de uma forma mais assertiva na última década. Tudo isso refletiu em porque o aspecto da acessibilidade foi relativamente recente para mim dentro da inclusão social.

Com relação à inclusão na gestão, eu percebi que a dimensão social tem sido um pouco negligenciada pelos gestores em seus projetos. As pessoas trabalham muito a mobilização e a sensibilização, mas negligenciam um pouco a estruturação de programas de inclusão nos mesmos moldes em que são feitos os programas de negócio. Não há, como nos programas corporativos, a realização de um diagnóstico, a definição de metas e indicadores, o acompanhamento sistemático deles e a avaliação de resultados e impacto. Esse é um diferencial do Instituto Modo Parités, a gente valoriza e dá muito foco na gestão e nas ações dos programas de inclusão social.

 

Linguagem de sinais: Imagem retangular de fundo azul escuro. No lado esquerdo lê-se em branco "Os maiores equívocos dos gestores na contratação de PCDs". No lado direito há um botão retangular verde de bordas arredondadas com o texto em azul "baixe o ebook grátis". Fim da descrição.

 

HT: As empresas estão prontas para acolher e desenvolver as pessoas com deficiência? Para você, qual é o maior problema?

IS: Raras são as empresas que estão prontas, mas existem algumas exceções. Essas já concebem o seu espaço físico considerando a acessibilidade plena. A gente tem um exemplo que é a Serasa Experian, que constrói a suas plantas considerando todos os aspectos de acessibilidade – o que faz toda a diferença. Mas, se a gente for pensar nas milhares de empresas que existem no Brasil e que têm que cumprir a Lei de Cotas, a maioria absoluta não leva em conta a acessibilidade na hora de planejar as suas plantas ou mesmo os seus processos. E isso é um problema porque você vai ter que fazer alterações nos projetos e processos durante o andamento deles, e também fazer adequações arquitetônicas, de equipamentos e de mobiliários, que poderiam ter sido projetados já com acessibilidade na linguagem do desenho universal.

 

HT: O que você vê como o maior problema que os gestores têm com relação a acessibilidade?

IS: O maior problema que eu identifico nos gestores é o desconhecimento em relação aos vários aspectos que a inclusão das pessoas com deficiência envolve. Para começar, a nomenclatura, a semântica. Como eu abordo as pessoas com deficiência, desde esse primeiro contato? Como eu cumprimento, como eu recebo, como eu estabeleço um diálogo com uma pessoa surda ou cega, com uma pessoa que tenha paralisia cerebral, que tenha síndrome de Down?  Que tipos de considerações eu tenho que fazer? E até mesmo questões como “o que esperar desses trabalhadores?”, “como eu posso dar um feedback para eles?”, “que tipo de plano de desenvolvimento eu faço para esses trabalhadores?”, “como eu posso acompanhar esse profissional na empresa sem discriminar ou privilegiá-lo por sua condição?”. Esses conhecimentos, de vários aspectos, são o que eu considero hoje o principal problema e é onde eu entro como Instituto Modo Parités, com a capacitação desses gestores para lidar com todo o universo que permeia a inclusão da pessoa com deficiência.

 

Como seria bom ter as respostas dessas perguntas, não é? Você acredita que, por acaso, a Ivone participou de um webinar com a Hand Talk falando sobre tudo isso e dando essas respostas!? Que coincidência oportuna! 😅

Brincadeiras à parte, o webinar ficou incrível! A gente deu 10 Dicas de Acessibilidade para Gestores e Gerentes e teve espaço para perguntas, então não perca! Assista clicando aqui!

 

Imagem retangular, na horizontal, com fundo azul escuro e llistras brancas finas. No canto esquerdo vê-se um pequeno livro azul com as logos da Hand Talk e da ASID, com o título "E-book grátis: Porque a sensibilização é a chave para uma empresa inclusiva". No centro da figura vê-se o mesmo título repetido. No canto direito há um botão retangular na cor verde com o texto "Baixe o ebook grátis" em azul, no centro. Fim da descrição.

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