Dia da Consciência Negra: 15 frases que não parecem, mas são racistas

Dia da Consciência Negra: 15 frases que não parecem, mas são racistas

No dia 20 de novembro será celebrado o dia da Consciência Negra, que homenageia a cultura preta, símbolo de resistência e luta contra a escravidão. O dia marcará a importância de se discutir e agir ativamente contra o racismo, e as desigualdades sociais causadas por ele no Brasil, além de celebrar a morte de um dos maiores símbolos de resistência e luta contra o sistema escravocrata (Zumbi dos Palmares). 

Apesar da abolição da escravatura ter sido assinada há 133 anos, a sociedade brasileira continua perpetuando várias palavras e expressões que são carregadas de racismo. Elas reforçam a discriminação contra pessoas negras, e tornam o preconceito contra a cor da pele algo natural e comum. Com isso em mente, separamos algumas expressões que você pode estar reproduzindo no seu dia a dia, e provavelmente não sabe que são racistas, mas que devemos eliminar do vocabulário:

 

  • Deixar claro, esclarecer ou clarificar: traz a ideia de que apenas algo claro ou branco é bom ou melhor. 
  • Denegrir: é o oposto da expressão acima, implicando que tornar algo escuro ou negro é sinônimo de piora.
  • Lista negra, mercado negro ou ovelha negra: a palavra ‘negra’ é usada como adjetivo para descrever algo ruim ou proibido.
  • A coisa tá preta: novamente, a palavra ‘preta’ traz uma conotação negativa para a situação. 
  • Serviço de preto: indica uma tarefa mal feita, mais uma vez associando a palavra ‘preto’ com algo inferior.
  • Inveja branca: ao contrário das expressões anteriores, usar a palavra ‘branca’ como adjetivo representa algo do bem.
  • Lápis cor de pele: associa a cor bege ao tom de pele “certo”, inferiorizando a cor da pele negra.
  • Da cor do pecado: termo usado para se referir à pele negra, remetendo a ideia de que o preto era pecado, e o branco era pureza.
  • Mulata: na época da escravidão, mulheres negras serem abusadas por seus patrões brancos era algo comum, e os filhos que nasciam dessas relações eram chamados de mulatos. O termo originalmente se refere às mulas, que nascem do cruzamento entre um jumento e uma égua.
  • Negra de traços finos: reforça o padrão ideal de beleza branco, com a ideia de que o que deve ser valorizado na pessoa negra são os traços que se aproximam aos de uma pessoa branca.
  • Cabelo ruim: deprecia o cabelo afro, muitas vezes usado como símbolo da luta antirracista.
  • Não sou tuas nega: reproduz a ideia de que mulheres negras são inferiores, e não são dignas de respeito.
  • Feito nas coxas: na época da escravidão as telhas eram feitas de argila, e moldadas nas coxas dos escravos. Por conta da grande variedade de portes físicos, as telhas ficavam desiguais, associando o trabalho dos pretos a um serviço mal feito.
  • Meia-tigela: associado a algo de baixa qualidade. O termo tem origem na época em que os negros trabalhavam forçadamente nas minas, e quando não alcançavam sua meta do dia, recebiam apenas meia tigela de comida.
  • Criado-mudo: usado para se referir aos móveis que costumam ficar ao lado da cama. Na realidade, os criados mudos são da época da escravidão, em que os escravos ficavam parados ao lado da cama, segurando diferentes objetos, sem poder fazer barulho.

 

Racismo na comunidade surda

 

Sabemos que no Brasil já são quase 10 milhões de pessoas com deficiência auditiva. Dentre elas, cerca de 5 milhões são negras (pretas e pardas), e em sua maioria dependem da Libras (Língua Brasileira de Sinais) para se comunicar.

Mesmo que hoje já se debata muito sobre a educação bilíngue e seus benefícios para a população surda, ainda estamos muito longe do modelo ideal. Em um contexto em que a maioria das escolas continua impondo o português como primeira língua, apesar de as pessoas surdas terem a Libras como língua materna, é necessária uma movimentação mais eficiente e intensa na luta pela educação da comunidade surda.

A demora na aplicação de uma educação bilíngue eficiente, além de causar implicações linguísticas, afeta especialmente as pessoas negras surdas. Por conta  dessas práticas educacionais atuais, esse grupo acaba atrasando seu processo de reconhecimento e pertencimento racial e étnico.

Datas comemorativas como o dia da consciência Negra são essenciais para promover a justiça racial. As discussões sobre o assunto ganham evidência, ajudando a sociedade a compreender a discriminação presente por trás de muitas das atitudes racistas que temos no dia a dia. Dessa forma, mesmo pessoas que não fazem parte desse grupo, podem apoiar essa luta tão importante, não só nesse dia virá, mas no ano todo.

Compartilhe esse post!


Rating: 5.0. From 1 vote.
Please wait...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *